No breu do meu quarto tateio a procura do teu corpo, às minhas mãos finas restaram somente os lençóis frios do seu lado da cama.
[fragmentos - desde que você se foi]
A.C
Eu quero te pedir perdão, sei que tenho andado um pouco relapsa com a nossa história. Sei que você não tem obrigação de me aceitar do jeito que sou, de me perdoar por tantos erros, de suportar minhas mudanças de humor, de tolerar meus medos infinitos, de engolir meu lado sombrio, de preencher meu vazio existencial e de me carregar no colo quando minhas forças não são fortes o suficiente. Me desculpa, sei que nem sempre sou divertida, inteligente, sexy, amorosa e gentil como deveria. Me desculpa, sei que andei um pouco ausente, sem vontade de te contar tudo aquilo que me aflige. Sinto um pouco de vergonha por ter saído à francesa da sua vida. Mas eu voltei. E isso deve ser bom para nós. Por favor, diga que me aceita de volta, de braços, coração e sorriso abertos. Preciso de você, do seu ouvido, do seu carinho sincero, da sua paciência. Preciso que você entenda que nem sempre consigo entender esse mundo cheio de angústias. Mas quero que saiba que a partir de agora vou me esforçar para melhorar um pouco isso que a gente chama de amor. Se você ainda me quiser estarei aqui.
No breu do meu quarto tateio a procura do teu corpo, às minhas mãos finas restaram somente os lençóis frios do seu lado da cama.
[fragmentos - desde que você se foi]
A.C
Minhas olheiras se tornaram tão frequentes, me perguntavam se eu não estava dormindo. Respondi que era o que acontecia quando as pessoas estavam comigo para se sentirem acompanhadas, não para me fazer companhia. O que lhes pareciam olheiras, eram o tipo mais comum de hematoma que os outros me causavam.
se algum dia minha alma disser adeus ao meu corpo, talvez eu consiga viver. talvez eu não volte jamais.
sobre chorar pelas minhas crises quando eu nem sei por que insisto em me doer pelas banalidades efêmeras do existir. o meu pranto não faz sentido ao porteiro do prédio que me vê sorrindo vez ou outra. ele não sabe que eu desmorono antes dormir. alguém sabe? se eu um dia por acaso me perder pelas redondezas vão dar queixa na polícia? vão pedir oração aos deuses para que eu esteja segura? alguém vai em sã consciência querer me encontrar quando eu já sou por nascença uma causa perdida?
quem apostaria suas mazelas de um domingo quieto e obscuro na minha falta de lucidez? eu não me aconselharia a ser tão fora do padrão. procura-se um escape da existência. uma fuga da agonia que é existir e não pertencer. eu coloquei nota no jornal. eu tatuei minhas incertezas em mim. é quase um não aviso do perigo do meu caos.
o universo ri-se de mim. não posso mais desvanecer-me as estrelas e aos corpos tão diluídos no espaço como eu. é uma pena ter minha falta de juízo desgastada pelo breu da insatisfação. nada me é o bastante. nada me tira dessa roda gigante maluca e sádica que é corroer-me nas reticências e fingir parecer normal.
é tão sutil minha eloquência que eu quase acreditaria nesse meu falso sorriso. alguém enxerga além das minhas mentiras por entre as brechas da ilusão?
uma pena, eu diria. uma pena.
por tomar o seu tempo
com minhas conversas vazias
cheia de desamores
e
nostalgia.
Feito lua,
tenho lá minhas crateras.
Nina
Só quero sossego. Só preciso me recompor. Recarregar as baterias. Organizar as idéias. Juntar os pedaços dos pensamentos. Sintonizar minhas estações. Me mexer. Assumir, de vez, as rédeas da minha vida. Deixar o medo num lugar distante. E tentar colar as partes do meu coração.